KUNG FU PANDA (Kung Fu Panda)
 


04 de julho de 2008

Meninos, rapazes e homens feitos são o público-alvo deste novo desenho da Dreamworks, os mesmos que acertaram com a série Shrek, e que retornam com uma fita de animação inventiva, bem humorada e com um esplêndido visual. É uma grande realização, assinada por desconhecidos: Mark Osborne (que foi indicado ao Oscar de Curta por “More”, em 1998), e John Stevenson (que era diretor de arte e storyboard antes), que foi extremamente bem produzida e pesquisada, um pastiche de todos os filmes de ‘kung fu’ da história do cinema. Mas sempre realizado com bom gosto impecável com inúmeras referências.

Como de hábito, muito da personalidade dos atores que dublaram a voz no original está na figura e comportamento dos heróis. Assim, Jack Black é a perfeita escolha para interpretar o protagonista, um urso Panda que sofre de excesso de peso, e trabalha com o pai (que é um pato, mas isso não se explica!), que é um vendedor de noodles (macarrão). Só que ele sonha em ser um campeão de Kung fu, um delírio que acaba sucedendo quando vai assistir a um torneio, onde deve ser escolhido o campeão que deverá enfrentar o renegado Tai Lung. Os competidores são a Tigresa (voz de Angelina Jolie), a Cobra (Lucy Liu), o Macaco (Jackie Chan), o Louva-deus (Seth Rogen), e a Garça (David Cross) que, não por acaso, são também alguns dos mais conhecidos estilos de lutas marciais.

Quem deve decidir o escolhido, que terá a honra de conhecer os segredos do Dragão, é o Mestre Tartaruga Oogway e, na sua ausência, seu sucessor, o Mestre Shifu (Dustin Hoffman, em grande momento). Só que o panda Po não consegue emagrecer, nem deixar de comer quando ansioso, e o segredo é que não tem que se modificar; ao contrário, tem que encontrar dentro de si, com suas falhas, as forças para se aceitar e se tornar um campeão.

Com muitas cenas de lutas e ação onde, de acordo com a tradição do desenho animado, ninguém parece se machucar, ou seja, violência sem dor ou sangue, Kung Fu Panda tem um bom roteiro, ainda que previsível, com aforismos e resoluções interessantes, momentos divertidos, uma realização eficiente, mas foi o visual, de fazer inveja a Zhang Yimou, que mais me cativou.

Completamente diferente, e até oposto, a Wall-E, e igualmente bom e recomendável, vem demonstrar o alto nível da animação neste momento.

Por Rubens Ewald Filho

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