20 de junho de 2008
Não há nenhuma dúvida de que esta continuação é bem superior ao original, aquele equívoco que Ang Lee cometeu em Hulk (2003), estrelado por um ator inadequado (Eric Bana, que está em A Outra). Tudo porque é a segunda produção da ‘Marvel‘ (a primeira foi o sucesso Homem de Ferro que, por sinal, tem bastante a ver com este filme), com a aprovação do criador Stan Lee (que aparece aqui numa ponta, como de costume, fazendo o sujeito que toma o refrigerante brasileiro), e do Hulk original, Lou Ferrigno (que, além de fazer uma aparição simpática como um porteiro, também fez a voz do Hulk, ou seja, do monstro).
Tem muito mais chance de agradar esta versão, feita sob as ordens de um diretor francês de filmes de ação, Louis Leterrier (fez antes Carga Explosiva 1 e 2) e, principalmente, do ator Edward Norton, que ajudou a gerar o projeto e, na verdade, escreveu o primeiro roteiro, e assina agora com o pseudônimo de Edward Harrison. Sabe-se que ele sempre gosta de se envolver nos projetos, e aqui teve uma grande participação criativa (chegou mesmo a fazer os movimentos do Hulk, para depois serem ampliados para CGI). Houve notícias de conflitos criativos entre ele e o diretor, mas a Universal fez de tudo para esconder isso da imprensa, e não prejudicar o filme. O fato é que todos os atores envolvidos são fãs do personagem, e fizeram o possível para salvar a franquia em perigo.
O resultado é satisfatório, porque a opção foi fazer um filme de ação, que não pára nunca; é basicamente uma longa perseguição, que começa com o doutor Bruce (Norton) refugiado na favela carioca da Rocinha (na verdade, a mesma que serviu de set para Tropa de Elite), onde trabalha numa fábrica de refrigerantes, e tenta encontrar um antídoto para sua doença, que o impeça de, nos momentos de raiva, se transformar no monstro (ele chega a fazer treinamento com o famoso campeão brasileiro, Rickson Gracie). O que se pode dizer é que a favela parece impressionante e assustadora, e isso em nada vai ajudar a trazer turistas para o Brasil.
Mas Bruce consegue fugir dali, não sem antes Hulk interferir. Assim, ficam estabelecidos, como o vilão supremo, o General Thaddeus Thunderbolt Ross (Hurt que, por vezes, fica canastrão), que insiste em capturá-lo, para usar o monstro para fins militares, e o militar Emil ky (Tim Roth), que é um soldado fanático e demente, que se deixa injetar por droga semelhante, e acabará se tornando, no clímax, um outro monstro: o Abominável. Outra vez, a coitada de Nova York se torna palco e cenário deste embate feroz.
Há muita ação, e a única coisa que poderia incomodar é que o Hulk agora é todo em CGI, ou seja, feito por efeitos especiais, e com cara de desenho animado (bem próximo dos quadrinhos). A princípio, estranhei ver uma figura tão obviamente de animação em cenários realistas, e contracenando com atores reais. Mas, miraculosamente, fui me acostumando e aceitando o resultado.
Não gosto especialmente de Liv Tyler, que emagreceu um pouco para ser Betty Ross e fornecer o interesse romântico. Mas todo o filme me pareceu eficiente e adequado. Uma grande melhoria com relação ao filme anterior.
PS: conversei com minha amiga Paoula, correspondente em Los Angeles, que me confirmou os boatos: Norton não participou da publicidade do filme (não deu entrevistas), e pelo jeito tirou seu nome da ficha técnica como roteirista (ao menos no folheto não consta), porque não concorda com a montagem final do filme, dizendo que o transformaram em apenas uma fita de ação. A Universal chegou a pensar em não exibir o filme para a imprensa - como fez a Fox com Fim dos Tempos, também por lá. Mas, no final das contas, se convenceu de que não havia problemas. De qualquer forma, essa fofoca suja um pouco a reputação do filme, e confirma a fama de chato de Edward Norton.
Por
Rubens Ewald Filho