ENSINANDO A VIVER (Martian Child)
 


06 de junho de 2008

Fiquei com a impressão de já ter visto esta história antes, ou uma outra muito parecida. É que o argumento lembra  bastante outros filmes - o próprio John Cusack fez outro pouco antes, onde era um pai que tinha problemas com filhos (no caso, contar que a mãe deles morreu, no ainda inédito “Grace is Gone”), e Kevin Spacey, em K-Pax - O Caminho da Luz, onde ele garantia ser um E.T..

Aqui, Cusack é um escritor de ficção-científica, ainda em crise dois anos depois da morte de sua mulher, mas que decide adotar um órfão, que fica a maior parte de seu tempo dentro de uma caixa de papelão porque, sendo de Marte, tem medo de fica exposto ao Sol. E ninguém se dá ao trabalho de afirmar que, em Marte, seria exatamente o oposto. Conquistando a confiança do garoto, lhe dando óculos escuros e protetor solar, o leva para casa, numa fase experimental. A própria Joan Cusack, irmã na vida real do ator, faz o papel da irmã, que é contra a adoção (a atriz está ficando cada vez mais feia, e fora de controle). Ainda mais de alguém tão problemático, que usa pesos (para não ser levado no ar flutuando!) e rouba coisas (coletando objetos, como prova de que esteve na Terra). Os dois vão ficando amigos, através de jogos de beisebol, enquanto John se identifica com o garoto, até porque também vive num mundo de imaginação. Dali em diante, tudo é muito previsível, com a presença da amiga que vira interesse romântico (Amanda Peet), as opiniões dos que acham que o herói não deve sustentar aquelas fantasias (com o velho conflito de conformismo x auto-expressão). Nem se menciona a possibilidade de autismo. Tem até um velho cachorro, que vai acabar como todos terminam no cinema.

Tudo isso é baseado num livro autobiográfico (ou quase) de David Gerrold, e certamente terá mais apelo para os interessados em psicologia infantil, dramas familiares, e o público feminino em geral. Os que preferem ação ou diversão mais ligeira, nem pensar. Tem ao menos um respeitável elenco de apoio (em geral, amigos de John Cusack), e uma sólida presença do duo central. É preciso ter paciência para se envolver num filme sobre amor paternal e crianças problemas.

O diretor foi indicado ao Oscar como roteirista de A Cor Púrpura, que era ainda mais manipulador do que este! Trabalhou antes com John Cusack naquele curioso drama sobre a juventude de Hitler, chamado “Max” (2002).

Por Rubens Ewald Filho

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