18 de julho de 2008
Vencedor do prêmio de roteiro no Festival de Cannes, este é o novo filme do diretor do superestimado Contra a Parede que havia ganhado o Urso de Ouro em Berlim. É compreensível que o filme tenha mais impacto na Europa, onde os emigrantes turcos, que vivem na Alemanha logo depois da Segunda Grande Guerra (para onde foram como mão-de-obra, e hoje têm problemas com integração), e o problema de sua identidade (o filme não dá uma visão positiva da vida na Turquia, neste momento em que eles pleiteiam entrar na Comunidade Européia).
Narrado com a tradicional lentidão do cinema europeu, o filme é curioso porque começa com uma trama, para logo depois dar uma reviravolta e contar outra história (“A Morte de Lotte”, ou seja, já dá sentido de tragédia, porque sabemos que o personagem irá morrer). Começa na Alemanha, onde um velho turco - feito por um ator extremamente famoso na Turquia - chama uma prostituta para morar com ele e seu único filho, que é professor. Mas logo depois da primeira noite, ela é morta (meio que de forma acidental) e o velho vai para a prisão. O rapaz, Nejat (Baki Davrak) resolve então ir para Istambul, procurar a filha da falecida e, dali em diante, o filme irá brincar com o jogo de gato e rato entre os dois (e nos roubando o prazer de uma catarse, ou seja, de um final conclusivo), que se cruzam algumas vezes sem se reconhecerem.
Mas da meia hora em diante, a protagonista passa a ser a filha Ayten (Nurgül Yesilsay), que está ligada a grupo terrorista turco, o que a faz fugir para a Alemanha atrás da mãe, quando eles são presos e dispersos. Não demora para ela encontrar uma jovem alemã, Lotte, que lhe dará abrigo e amor. Mas novamente será a mãe dessa Lotte feita pela veterana, gorda e memorável Hanna Schygulla (musa de Fassbinder), que terá a parte final, quando vai para a Turquia para o enterro da filha. E imaginem a coincidência, irá se hospedar no antigo quarto dela, que ficava justamente no apartamento de Nejat.
Com uma mensagem de aceitação e tolerância, o filme ganhou 27 prêmios, mas nem por isso é excepcional. Foi indicado ao último Oscar® de filme estrangeiro, como “The Edge of Heaven”, mas não ficou entre os finalistas. De qualquer forma, é indicado para o público de arte.
Por
Rubens Ewald Filho