06 de junho de 2008
Achei muito esquisito que o diretor se identifique nos letreiros como ‘Um filme de Andrew Adamson’. Quem diabos é ele para merecer esse crédito tão possessivo, quando cinema é uma arte tão colaborativa? Pois foi supervisor de efeitos especiais de algumas bombas (“Batman Forever”, “Batman & Robin”, “A Time to Kill”), e ficou famoso - em termos - como produtor, roteirista e diretor dos dois primeiros “Shreks”, assim como foi o realizador do episódio anterior, de 2005.
Como se sabe, o filme é o segundo capitulo de uma série, que pretende ser de quatro filmes, embora fossem originalmente sete, todos inspirados na obra de C. L. Lewis (1898-1963), redescoberta pela Disney e pela Walden Media, após o êxito de “O Senhor dos Anéis”.
O primeiro episódio foi bastante bem de bilheteria, em parte por causa de seu apelo religioso - melhor dizendo, seus simbolismos cristãos que, segundo os entendidos, vai se cristalizando ainda mais nos capítulos subseqüentes. Mas o prospecto não parece promissor, já que este foi relativamente mal nas bilheterias, indicando que seu público não ficou satisfeito, nem estava interessado em seguir as aventuras dos quatro irmãos nas terras de Nárnia. Ultimamente tenho ido contra a maré, mas o filme me pareceu melhor que o primeiro. Ao menos, tem bem mais ação, é mais focado, mais intenso, sem perder o tom infanto-juvenil. Agora com um não-muito-intenso tom romântico (que deveria interessar às meninas) e, segundo muitos notaram, também mais dark.
Todo o elenco central está de volta e, sob pena de estragar o prazer, até mesmo Liam Neeson fazendo a voz do leão Aslan, e Tilda Swinton como a Bruxa (não creditada). Só que os garotos cresceram e estão naquela fase desajeitada da adolescência (alguns gordinhos, outro encovado), que não os deixa especialmente carismáticos.
A história começa no metrô de Londres, durante a Segunda Guerra, quando a família é magicamente levada novamente ao “Reino de Nárnia“ que sofreu, em sua ausência, grandes transformações. Tudo foi destruído, e quem domina agora é um grupo chamado Telmarines, que são conduzidos por um tirano (feito pelo astro italiano Sergio Castelitto, que tem um bom tipo e é praticamente desconhecido nos EUA. O filme foi rodado na Slovenia, Praga, Nova Zelândia e Polônia). É basicamente ele que, além das intrigas palacianas de sempre, controla os outros habitantes, que são basicamente anões (entre eles, o excelente ator Peter Dinklage), texugos, centauros, minotauros e ratos corajosos; todos guerreiros intrépidos.
A principal trama é que este vilão persegue o herdeiro do trono, que é justamente o príncipe Caspian (interpretado pelo inexpressivo ator britânico Ben Barnes, que esteve em “Stardust”; aliás, todas as crianças são inglesas). Obviamente deseja matá-lo, e foi o príncipe quem soprou o chifre (Horn) para chamar os heróis, e por isso que eles estão ali, agora liderando a luta contra os bandidos. Naturalmente há uma rivalidade entre Caspian e Edmund (Skandar Keynes), o mais velho dos irmãos mas, como disse, é basicamente um filme de ação de muitas batalhas, de longa metragem, onde apenas a excelência da produção compensa suas lacunas dramáticas. Só agora percebo que prefiro esta continuação simplesmente porque não tinha gostado especialmente do primeiro capitulo (com exceção da presença de James MacAvoy, que não retorna aqui).
Acho mais bem realizado, mais cinemático, mais aventura. Mas nem por isso memorável.
Por
Rubens Ewald Filho