30 de junho de 2008
Depois de passar quatro anos produzindo a série de TV The Unit, o dramaturgo David Mamet retorna à direção de cinema, num curioso filme sobre jiu-jitsu brasileiro, co-estrelado por três brasileiros: Alice Braga (Eu Sou a Lenda), num papel importante, o da esposa do herói, mas que é muito mal resolvido ao final; Rodrigo Santoro, que tem cinco cenas como o irmão trambiqueiro dela, e cunhado do herói; e um lutador chamado John Machado, que não tem qualquer talento de intérprete (há também uma menção à caipirinha, num bar chamado “São Paulo“ (!), onde tem uma cantora que se apresenta com uma música à capella, ou seja, sem acompanhamento, embora a orquestra e os figurantes fiquem balançando a cabeça, sem sentido. Ah, sem esquecer da habitual pontinha de Caroline de Souza Correa, a modelo que esteve em Star Wars).
Fracasso nos EUA (para um orçamento de cerca de 7 milhões, não rendeu mais do que dois e pouco), o filme não traz a marca de Mamet (famoso pela violência e o uso excessivo de palavrões). Parece até um antifilme de luta, menos preocupado com a coreografia e mais com a ética do embate. É ajudado pelo talento daquele ator inglês negro, de nome difícil, Chiwetel (American Gangster, Kinky Boots), que tem autoridade e segurança, embora faça o tempo todo a mesma expressão, de atônito.
A história é complicada: ele é professor de uma academia no bairro sul de L.A. (não fala nada em português), casado com Alice (que tem um negócio de roupas que ajuda a manter a academia, porque ele se recusa a lutar, porque acha impuro). Ele é amigo de um policial (Rick), que não abre processo contra uma mulher nervosa (depois se descobre que ela tem traumas porque foi estuprada), que dá um tiro e quebra o vidro do lugar. Enfim, eventualmente isso o leva a conhecer um astro de cinema, de fitas de ação (Tim Allen, inacreditavelmente gordo e inchado, parece doente), e a mulher (Rebecca Pidgeon, na vida real, esposa de Mamet). No final das contas, o herói, chamado Mike Terry, acaba numa armadilha, onde lhe roubam regras da academia e ainda querem obrigá-lo a participar de lutas compradas e entregues. É quando o filme não sabe terminar, tropeçando num confronto absurdo e ridículo (na sessão de imprensa que vi, os jornalistas debocharam abertamente), e ainda por cima carregadamente simbólico.
Uma pena, porque até então o filme tinha certa carga dramática que despenca, sem culpar nossos atores, que se defendem bem (inclusive Santoro, que desta vez alterna inglês e português, sempre convincente).
Por
Rubens Ewald Filho