UM AMOR PARA TODA A VIDA (Closing the Ring)
 


20 de junho de 2008

Aos 84 anos, Sir Richard Attenborough recusa-se a aposentar-se, e insiste em mais este filme, um romance em dois tempos: a Segunda Guerra Mundial em Belfast, no auge do conflito entre irlandeses e ingleses, e em 1991, no interior dos EUA, em Michigan. Foi escrito por Peter Woodward, o mesmo de A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos, O Patriota e séries de TV, e não foi adaptado de uma novela, como pode parecer. Apesar de trazer, sem roupa, Mischa Barton, que ficou famosa na série de TV The O.C., o filme não teve impacto no exterior, e por uma boa razão: é extremamente antiquado, quase vestuto (para usar uma palavra divertida).

A história começa com Shirley MacLaine (que faz Mischa velha, por mais estranho que pareça), no funeral do marido de muitos anos. Tudo indica que ela é uma chata, que não gosta de nada, que vive no passado, descuidando dos filhos (em particular da filha, feita por Neve Campbell que, por causa disso, é toda revoltada), e incapaz de demonstrar qualquer emoção, a não ser resmungar que ele foi um bom marido, cuidou dela, etc. e tal. A seu lado, ela tem um velho amigo, feito por Christopher Plummer (A Noviça Rebelde). Aos poucos, entram os flashbacks que estabelecem a trama central.

Quase 40 anos antes, durante a Segunda Guerra, o falecido tinha dois amigos inseparáveis, os três pilotos, que lutavam em missões a partir da Inglaterra. Todos apaixonados pela mesma mulher, Ethel Ann (Mischa Barton), que somente tinha, porém, olhos para um deles, justamente o mais bonito, um loiro chamado Teddy Gordon (Stephen Amell que, se tivesse talento, a esta altura já seria um astro e capa da revista People). Foi um grande amor, vivido intensamente, mas interrompido por um fato trágico: o rapaz morreu numa missão de guerra, quando o avião deles caiu numa montanha, perto de Belfast. Isso finalmente ajuda a entender porque estamos tendo uma terceira história paralela, com um rapaz simplório, mexendo nessa montanha (que, para complicar, serve para a Máfia local enterrar seus ‘presuntos’), e que aos poucos começa a desenterrar artefatos do passado. Aliás, nesse grupo, estão também dois atores ilustres: Pete Postlethwaite e Brenda Fricker, que ganhou um Oscar® de Coadjuvante por Meu Pé Esquerdo. Naturalmente, há segredos enterrados, e outros esquecidos, que vão sendo desvendados bem devagar com conflitos entre Ethel e a filha, Marie, indo para Belfast.

Shirley faz sua cara de mal humorada - ou chata - permanente, enquanto Mischa deixa de registrar, na sua primeira grande chance de mudar de categoria. Logicamente, tem revelações, reviravoltas, mas nada muito importante ou notável. Mas que vamos evitar tocar.
Embora com uma produção decente, o filme é banal demais para nos emocionar.

Por Rubens Ewald Filho

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