20 de junho de 2008
Por estranho que pareça, e contra todas as expectativas, é bem divertida esta versão para a tela grande da célebre série de TV, que durou de 1965 a 70, com Don Adams (já falecido) e Barbara Feldon, criada por Mel Brooks e Buck Henry (que funcionaram como consultores deste filme). Era difícil acreditar que funcionasse, porque houve antes, em 1980, uma versão para o cinema - A Bomba que Desnuda (The Nude Bomb) -, já bem definida por seu título, e uma tentativa de ressuscitá-la para a TV em 1995 (que saiu em DVD agora, não confundir com a original, que também foi para as locadoras no dia de estréia deste filme).
Grande parte do acerto se deve à escolha do ator para interpretar o agente Maxwell Smart, Steve Carrell (de The Office e O Virgem de 40 anos), que tem o estilo deadpan, ou seja, cara de pau, perfeito para o tipo. Não faz caretas, evita reações, mas tem o timing perfeito. Também foi correto chamar a encantadora Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada, para fazer a Agente 99, já que ela tem a exuberância e o charme necessários. Além disso, o filme é extremamente fiel ao original, repetindo todos os momentos mais queridos e famosos, desde os letreiros até o final, ao agente escondido nos lugares (aqui, numa árvore, feito por Bill Murray) e, na hora certa, um reencontro com os objetos e mesmo o carro antigo, roubados do museu da agência C.O.N.T.R.O.L.. E sem esquecer o telefone sapato, que é o precursor do atual celular.
O conflito básico é que Smart é um brilhante analista, que continua nos escritórios, mas sonha em ser agente de campo, participando de perigos reais, ao lado de 99. No caso, a K.A.O.S. volta a agir e, quando o escritório é atacado, ele vai parar na Rússia (locações autênticas), onde os perigos e surpresas irão se suceder. É óbvio que não faz muita diferença a trama, porque ela é mero pretexto para as piadas e gags, quase todas funcionando, e algumas muito engraçadas. Insisto em não ser estraga prazeres. Ao final há uma grande perseguição de trem, mas a minha cena favorita é uma espécie de disputa de danças, entre os agentes, ao som do Baião de Ana!.
Era de se supor que o personagem estivesse superado pelo tempo (afinal é a enésima sátira aos espiões estilo James Bond!), imitações e fim da Guerra Fria. Que ele funcione, e bem, é quase um milagre!
Por
Rubens Ewald Filho