Crítica sobre o filme "Pequeno Príncipe, O":

Rubens Ewald Filho
Pequeno Príncipe, O Por Rubens Ewald Filho
| Data: 20/08/2015

Esta é a nova versão do clássico livro do francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-44), que ficou mal afamado por causa de ser sempre o livro favorito das Misses. Mas é um clássico não apenas para crianças, que provavelmente não o entende inteiramente, mas com jovens adultos e românticos. O autor escreveu outros livros (Vol de Nuit, filmado como Asas da Noite, Correio Sul) e morreu num acidente de avião (já que era piloto). Houve inúmeras versões da história, sendo as mais conhecidas um telefilme de 65, série de TV de 78, longa de 90. Mas a minha favorita, apesar de irregularidades, é a feita por Stanley Donen (Cantando na Chuva) em 74, para a Paramount como musical, com canções de Alan Jay Lerner (My Fair Lady, Gigi). Era notável por dois números musicais, Gene Wilder fazendo a raposa e a ultima aparição de Bob Fosse no cinema, dançando como a cobra! Aqui o diretor americano Osborne foi indicado ao Oscar por duas vezes, pelo longa Kung Fu Panda (2008) e pelo curta “More” (98), codirigiu também o longa do Bob Esponja.

Um problema: esta versão modifica basicamente a história, para mim tirando um pouco de sua magia e fantasia e situando a ação num futuro próximo, quando uma menina tem problemas com sua mãe muito severa que a pressiona para passar num importante concurso. Um dia seu novo vizinho, um aviador excêntrico, provoca um acidente ao querer testar um seu avião que precisa de reparos. Intrigada por esse homem que se comporta como criança a menina encontra um velho manuscrito escrito por ele, narrando a história de seu encontro com uma criança, no deserto do Sahara, onde sofreu acidente de avião, e encontra aquele que seria justamente o Pequeno Príncipe de outro planeta...

Exibido no recente Festival de Cannes, o filme foi bem recebido por causa de seu bonito visual, e apesar da tentativa de colocar a heroína num subúrbio de vizinhos (lembram os de Edward Mãos de Tesoura), predominantemente cinza, e custar a entrar na história propriamente dita, e quando isso sucede nem sempre repete o mesmo tom poético e fantasioso. Felizmente a menina encontra uma página (com a ilustração original do livro) e o filme ganha mais força e beleza. Fugindo inclusive do excesso de realismo da primeira parte desde que se apresenta o Príncipe vestido de verde e amarelo!

Detalhe curioso: a versão francesa e americana é dublada por elenco famoso, mas não estará disponível (a francesa parece que em poucos lugares). Seriam Jeff Bridges, Rachel McAdams, Mackenzie Foy, Paul Rudd, Marion Cotillard, Riley Osborne, James Franco, Benicio Del Toro, Albert Brooks, Ricky Gervais, Paul Giamatti, Bud Cort e a francesa André Dussollier, Florence Foresti, Vincent Cassel, também Marion Cotillard, Guillaume Gallienne, Laurent Lafitte, Vincent Lindon.