Crítica sobre o filme "Planeta dos Macacos: A Origem":

Jorge Saldanha
Planeta dos Macacos: A Origem Por Jorge Saldanha
| Data: 28/12/2011
Dificilmente alguém que tenha acompanhado a saga PLANETA DOS MACACOS, a partir do antológico longa de Franklin J. Schaffner, não gostará deste PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM (2011), dirigido com louvor pelo pouco conhecido inglês Rupert Wyatt, de THE ESCAPIST (2008). O que de início salta aos olhos é que, pela primeira vez na história da franquia, os macacos foram totalmente criados em computação gráfica, pela WETA Digital. E o fato é que eles, ainda que por vezes tenham uma inevitável aparência digital (principalmente na alta definição do Blu-ray), roubam a cena dos protagonistas humanos - principalmente Andy Serkis, que via captura de movimentos interpreta o chimpanzé César. Serkis já foi o Gollum da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS (e voltará a sê-lo em O HOBBIT, atualmente em filmagem na Nova Zelândia) e o KING KONG da refilmagem de 2005, e a Fox está fazendo campanha para que, de forma inédita, ele seja indicado ao Oscar por esta nova interpretação digital.

Mas os acertos do filme não estão restritos apenas à sua parte técnica, já que ele é uma inteligente reinvenção da franquia, atualizando-a para os tempos atuais mas sempre respeitando e homenageando os filmes originais. O roteiro segue a linha de A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS (1972), e mostra a insurreição símia que será o primeiro passo para a dominação da Terra. James Franco interpreta Will, um cientista que, com os recursos de uma grande corporação farmacêutica, trabalha para encontrar uma cura para o Mal de Alzheimer, doença que afeta seu pai (o ótimo John Lithgow). Como resultado ele cria um composto virótico que não apenas propicia a regeneração dos neurônios, mas também aumenta o QI dos chimpanzés utilizados como cobaias. César nasce de uma das macacas de laboratório inoculadas com a substância, e dela herda uma inteligência superior.

Will leva César para casa, onde passa a viver até que, após um incidente envolvendo seu pai, o chimpanzé ataca um vizinho (David Hewlett, da série STARGATE ATLANTIS) e por determinação judicial é levado para um abrigo de primatas de São Francisco. A partir daí temos uma espécie de “filme de prisão”, que culminará na rebelião liderada por César. Os fãs certamente não deixarão de notar as homenagens e referências aos antigos longas: por exemplo, boa parte dos personagens (humanos e símios) foi batizada com os nomes de pessoas envolvidas na realização dos filmes originais; a célebre frase “Tire as patas sujas de mim, seu maldito macaco imundo”, dita por Charlton Heston no primeiro filme da série, é repetida por um dos personagens humanos; uma epidemia em escala mundial será crucial para a ascensão dos macacos; e não menos importantes são as sutis referências a uma missão tripulada à Marte que foi dada como perdida – o que poderá ser o ponto de partida para um futuro filme, caso decidam utilizar como base o original de 1968.

Apesar de perder um pouco da força por ter recebido um corte “familiar” (a violência, principalmente no confronto final da ponte Golden Gate, foi claramente atenuada), PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM é certamente um dos melhores blockbusters do ano. É um filme que diverte e traz um rico conteúdo, herdado de uma das mais célebres franquias de ficção científica da história do cinema.