Crítica sobre o filme "Band Of Brothers":

Jorge Saldanha
Band Of Brothers Por Jorge Saldanha
| Data: 01/08/2009
Junte os nomes do diretor Steven Spielberg, do ator Tom Hanks e da HBO, e o resultado só pode ser excepcional. Ao lado de FROM EARTH TO THE MOON, também produzida por Hanks, BAND OF BROTHERS é indiscutivelmente das melhores – se não a melhor – minisséries já produzidas na história da televisão. Com um custo de U$ 125 milhões, ela teve um nível de produção cinematográfico em todos os aspectos, sendo bem mais cara e complexa que muitos filmes. Ousaria até dizer que é superior ao próprio O RESGATE DO SOLDADO RYAN (dirigido por Spielberg e estrelado por Hanks), do qual é uma espécie de extensão igualmente realista e brutal, porém ainda mais profunda ao mostrar a crueza da guerra e os sacrifícios dos soldados a partir do desembarque das tropas aliadas na Normandia. Além disso, com 10 episódios tendo cada um no mínimo 50 minutos de duração, a minissérie consegue estudar e desenvolver seus personagens de uma forma que a maioria dos filmes é incapaz de fazer.

Quanto à trama, não vale a pena me estender muito, a resenha acima já é bem explicativa. Bastaria acrescentar que o episódio inicial “Currahee”, como em NASCIDO PARA MATAR, de Kubrick, mostra o treinamento básico (e atroz) dos soldados da Companhia antes de embarcarem para a Europa, e nele se destaca David Schwimmer, de FRIENDS, como o inepto e despótico Capitão Sobel. Não sendo exatamente um fã de filmes de Guerra, porém apreciando alguns títulos (como o já citado SOLDADO RYAN), considerei este segmento inicial nada menos que brilhante. A partir dele entramos num padrão mais comum ao gênero, com cada episódio focado numa missão ou evento específico da Companhia Easy. A exemplo de alguns filmes de Spielberg baseados em fatos reais, cada episódio inclui depoimentos de veteranos da Companhia, que dividem com os espectadores algumas lembranças muitas vezes amargas do front. Já nestes depoimentos fica bem estampado o sentimento de irmandade ao qual o título, inspirado numa expressão cunhada por Shakespeare em HENRIQUE V, faz referência.

Ainda que em parte seguindo a cartilha de muitos filmes de Guerra, BAND OF BROTHERS atinge níveis insuspeitados de emoção e dramaticidade, que explodem principalmente em seus episódios intermediários, que se passam nas florestas nevadas de Bastogne (tanto que o sexto episódio, “Bastogne”, ganhou um Writers Guild Award em 2003). Para tanto, não foram evitadas imagens explícitas de soldados mutilados e agonizantes, que poderão chocar aos mais sensíveis. Porém, elas não seriam tão impactantes se não envolvessem personagens tão bem trabalhados, a ponto de que tenha sido criado entre eles e o espectador um elo real e efetivo. Dando vida a essas pessoas temos um ótimo elenco, em que além de Schwimmer se destacam Damian Lewis como Richard Winters (personagem real que serviu de base para o Capitão Miller de Tom Hanks em SOLDADO RYAN), Donnie Wahlberg (irmão de Mark), Ron Livingston e Neal McDonough. Seja ou não a melhor minissérie já feita, seja ou não melhor que grandes filmes de Guerra como O RESGATE DO SOLDADO RYAN, o fato é que BAND OF BROTHERS, desde seu lançamento, passou a ser uma referência obrigatória no gênero e deve ser assistida, seja em DVD ou Blu-ray, por ser uma realização de altíssima categoria, sob qualquer aspecto que a avaliemos.