O Orfanato foi o filme selecionado pela Espanha para representar o país na concorrida disputa a uma vaga ao Oscar®. Para infelicidade dos que vivem comigo, neste país,
O Orfanato nem chegou a ser indicado. O filme pode ser considerado uma superprodução espanhola. Realmente é um filme que cuida dos detalhes e da qualidade técnica. Não por acaso ele conseguiu arrecadar algo como € 20,4 milhões em pouco mais de um mês, apenas na Espanha, e se tornar o terceiro filme mais assistiu do ano aqui - só perdendo para
Piratas do Caribe 3 e
Shrek 3. Também é o quarto filme espanhol com melhor bilheteria já registrado - perde apenas para
Os Outros, La Gran Aventura de Mortadelo y Filemón e
Torrente. Os produtores do filme, em especial a “major” Warner - com subsede na Espanha - estão contentíssimos, é claro.
Realmente o filme prima pela qualidade técnica. O diretor Juan Antonio Bayona e equipe fazem um bom trabalho narrativo utilizando efetivos e pontuais efeitos especiais. Nada é usado em exagero, mas apenas para dar força às cenas. O roteiro de Sergio Sánchez também me pareceu competente, especialmente porque ele faz o que se espera de uma boa história de suspense: começa morno, apresentando os personagens e seu contexto, para em seguida ir em um crescente dramático até o ápice da história. Ainda assim, o filme tem alguns falhos.
As intepretações são competentes, com especial destaque para a participação pequena mas intensa de Geraldine Chaplin como a vidente Aurora. Para mim a sua presença no filme é um dos melhores momentos de
O Orfanato. No mais, Belén Rueda, por exemplo, está bem, ainda que algumas vezes me parece que ela está mais preocupada em como vai “aparecer” frente às câmeras do que em realmente “vestir” a pele de sua personagem. Ainda assim, ela tem uma presença magnética em tela e, realmente, é uma mulher muito bonita. O drama da busca por seu filho convence.
O diretor Juan Antonio Bayona, como eu disse antes, faz um bom trabalho. Gostei, especialmente, da sequencia em que ele “acompanha” Laura na cadeira-de-rodas em busca de seu filho, pelo corredor da casa. Ele realmente tem algumas sequencias de câmera bem interessantes, ainda que dirija um filme que lembre muito a tantos outros sobre “casas assombradas” e “espíritos que não descansam depois de sofreram mortes violentas e/ou injustas”. O diferencial de seu filme, talvez, seja o fato de misturar elementos “tão batidos” com uma releitura de Peter Pan, de fantasia e da vontade de ser “jovem para sempre” - o que, no caso das crianças, passa pela morte.
Para quem gostou das locações do filme, comento que ele foi filmado na costa de Llanes, perto de Oviedo, Astúrias, e também em Barcelona.
(Alessandra Ogeda – confira mais detalhes no blog Crítica (non)sense da 7Arte)