Crítica sobre o filme "Treze Homens e Um Novo Segredo":

Rubens Ewald Filho
Treze Homens e Um Novo Segredo Por Rubens Ewald Filho
| Data: 28/04/2008

Quebrando a tradição desta temporada, este terceiro filme da série “Homens e Segredo” é melhor do que o anterior, que foi uma continuação indulgente, boba e descartável. O terceiro capítulo tem muitas qualidades, inclusive uma produção excepcional, com um desenho de produção (direção de arte), figurinos e fotografia geniais que, entre outros feitos, recria inteiramente em estúdio um cassino moderno de Las Vegas, com todo o requinte possível, indo do uniforme dos empregados a diferente decoração dos quartos, sempre com detalhes orientais. Pode ser que seja meio confuso, tenha excesso de piadas internas (inside jokes, mais divertidas para os atores do que para o público) e leve um tempo enorme – mais de uma hora - de exposição do projeto e discussões obscuras, ainda assim é uma diversão sofisticada e inteligente. E por que não dizer, charmosa e agradável.

Não espere, porém nada de muito novo ou brilhante. O diretor Steven Soderbergh caprichou na realização e em deixar seus amigos atores completamente à vontade. Sejam veteranos ou pouco conhecidos. Astros ou coadjuvantes, todos tem seu momento. Mas os que importam são de George Clooney (como o líder do grupo de assaltantes) e de seu comparsa Brad Pitt, ambos extremamente relax, à vontade, com enorme naturalidade (mas sem perder o timing de humor). Curiosamente ambos não se preocupam em esconder as primeiras rugas e marcas debaixo dos olhos. Até os Deuses envelhecem.

O mérito do roteiro novo de Brian Koppelman e David Levien (Cartas na Mesa) é mostrar que além de mero ladrões e vigaristas, os 11 amigos se importam um com o outro, a ponto de se reunirem quando um deles, Elliot Gould (Reuben) tem um enfarto e fica à beira da morte quando é enganado por um gangster dono de um novo cassino (Al Pacino). Todos então estão de volta para a elaborada e dispendiosa vingança, que irá incluir também o antigo inimigo Terry Benedict (Andy Garcia) em parte por ciúme de ter um rival no ramo de hotéis, em parte porque vê ali a chance de roubar uma fortuna em diamantes. Desta vez, praticamente não há mulheres com importância na trama, nem mesmo Ellen Barkin que faz Abigail, a mulher de confiança de Pacino.

Usando trilha musical e efeitos visuais (até no letreiros) que lembram os bons tempos de Sinatra e seu Clã em Vegas, este Treze Homens é uma prova de que quando Hollywood se esforça e coloca dinheiro em gente talentosa, o resulta é visualmente esplendido, digno de ser lembrado na época dos Oscars. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 2 de julho de 2007)