Se você tem filhos pequenos em casa,
Encantada é uma opção certeira para agradar – especialmente as meninas, porque talvez os garotos prefiram algo como
Cars ou
Transformers. Agora, se você é uma mulher ou um homem adulto sem filhos, é bem possível que nada neste filme lhe atraia – inicialmente. De minha parte, a única razão realmente razoável para ver a esse filme era o atrativo chamado Patrick Dempsey. Ainda assim, esse motivo não era suficientemente forte para me fazer assisti-lo, até porque prefiro ver Dempsey na série
Grey’s Anatomy (que, ainda que não seja assim uma “Brastemp” é, pelo menos, uma história que trata de vidas “plausíveis” e não de uma fantasia cor-de-rosa). Na verdade acabei assistindo a
Encantada por “encomenda” do DVD Magazine.
Não digo que meu tempo foi totalmente jogado fora, mas este filme definitivamente é muito “Disney” para o meu gosto. E olha que eu gosto da Disney! Mas disse o que eu disse porque ele é carregado demais de uma “fantasia” já vencida. Exceto para as crianças, claro. Para os “pequenos” ele provavelmente parecerá muito interessante. Ainda assim, para comparar com outro filme que “transporta para a realidade” a fantasia de um conto-de-fadas, como é o caso de
Penélope, ainda prefiro este segundo, com Christina Ricci e James McAvoy .
Encantada me incomodou porque me pareceu muito óbvio, um tanto arrastado e um bocado chato - pelo menos para os adultos.
Como eu dizia antes, o filme é por demais “Disney” antiga. Desde Roger Rabbit - que está completando 20 anos - a mistura de desenho animado com atores reais não é mais novidade - e evoluiu bastante, desde então. Ainda assim, em Enchanted a escolha do diretor Kevin Lima, um amante do mundo Disney, segue pelo caminho do tradicionalismo. Tanto que as inserções animadas no mundo real são bem limitadas e resgatam uma forma de “traços de desenhos” antiga da Disney – trazendo à tona novamente a animação 2D, por exemplo. Para crianças deve funcionar.
Como comentei lá no início também, o filme é muito, mas muito óbvio. Todos nós sabemos, logo que a atriz Amy Adams aparece no mundo real, o que irá acontecer entre ela e Patrick Dempsey. A partir daí e até o final não há surpresa alguma. E magia? Me desculpem os extremamente românticos, mas até a “sintonia” entre os dois não me convenceu. Dempsey faz as mesmas caras, bocas e esbanja aquele sorriso que faz muita gente suspirar por aí do seu personagem Dr. Derek Shepherd de
Grey’s Anatomy. Igualzinho, sem colocar ou tirar nada. A única diferença é que em Encantada ele é um pai que foi “deixado” por sua mulher e que cuida sozinho de uma menininha encantadora. Nada mais. Mas não senti com ele e a atriz principal do filme a sintonia ou o carisma que vi, por exemplo, entre Christina Ricci e James McAvoy em
Penelope.
Também tenho que admitir que me irritou um pouco o estilo “quase” musical do filme. Toda a parte da cantoria no parque, por exemplo, achei por demais brega. Ok, foi tudo muito bem filmado e coreografado. Lembrou algumas sequências de musicais urbanos feitos por Hollywood. Mas, de verdade? Dispensável. Assim como todo aquele final… depois do tão “esperado” e previsível beijo para salvar a Giselle, toda a transformação e “loucura” da Rainha Narissa (Susan Sarandon), era totalmente passível de ser cortada, convenhamos. Não leva a lugar algum e não refresca em nada a história. Mas enfim…
Além dos atores já citados, vale citar a participação de Idina Menzel como a namorada de Robert, Nancy Tremaine; e de Timothy Spall como Nathaniel, o braço direito da Rainha má que, sem nenhuma lógica, vira a casaca no final. E não me venham dizer que ele foi influenciado pela televisão, porque nem isso me convence (risos). E duas curiosidades: a veterana atriz Julie Andrews participa do filme como narradora da história; enquanto o diretor Kevin Lima dá a voz ao esquilo Pip em sua passagem “muda” (melhor dizendo, falando através de grunhidos) em Nova York. E a filha dele, Emma Rose Lima, dá a voz para três personagens: o pássaro azul, o falcão e a Rapunzel.
Semi-musical, o filme foi indicado a três Oscar pelas canções
Happy Working Song,
So Close e
That’s How You Know. Perdeu, na decisão, para
Falling Slowly, uma linda composição de Glen Hansard e Makéta Irglová para o filme
Once.
(Alessandra Ogeda – confira mais detalhes no blog Crítica (non)sense da 7Arte)