Este filme se tornou “cult”, por não ser um dos mais admirados de David Linch. Há muitas cenas gratuitas, até grotescas, nesta espécie de “road-movie” (termo lançado pelo eterno “Sem Destino” [Easy Rider]) que deveria complementar mais um capítulo do então famoso Veludo Azul. Logo em seguida, Linch foi, de certa forma imortalizado pelos “cults”, com a ótima série “Twin Peaks” (esqueça a malfadada edição da exibição da TV Globo, cortando e mutilando cenas, prefira ver o Box lançado com a série completa em DVD). Há cenas e personagens bizarros, conta com uma Laura Dern antes da “fama” do “Parque dos Dinossauros”. Mas não deixa de ser intrigante, interessante até o seu final. Não foi realizado para quem gosta de “blockbusters”, ou seja, filme em que as pessoas assistem, passam o tempo, são recordes de bilheteria e esquecidos depois de um tempo. Linch é enigmático, por vezes até incompreensível, mas tem o seu valor. A polêmica sobre quem é um ótimo cineasta vem desde a história do cinema. O experimentalismo, na forma literal da palavra, sempre foi utilizado. E Linch não foge do “linch-amento” (desculpe o trocadilho). Ame ou odeie, este é um filme no mínimo obrigatório, até mesmo por ser um dos menos conhecidos do autor por aqui. Como curiosidade, os prêmios (ou indicações) que o filme levou são: a indicação a Oscar® e Globo de Ouro (injusto, pois ela quase estraga o filme) de Melhor Atriz Coadjuvante para Diane Led (mãe de Laura Dern) e o vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1990.