Ovo da Serpente, O(The Serpent´s Egg)
David Carradine, Liv Ullmann, Heinz Bennent, Isolde Barth, Toni Berger, Christian Berkel, Richard Bohne, Paula Braend, Erna Brünell, Paul Burian, Paul Bürks, Hildegard Busse, Gaby Dohm, Hans Eichler, Emil Feist, Gert Fröbe
Ingmar Bergman
1977
SuéciEua, Alemanha
119 minutos

A Versátil e a MGM apresentam O Ovo da Serpente, um dos filmes mais famosos do mestre Ingmar Bergman e o único ambientado na Alemanha da República de Weimar, poucos anos antes da ascensão de Hitler. No elenco, ótimas atuações de Liv Ullmann e David Carradine. Berlim, novembro de 1923. Acompanhamos uma semana na vida de Abel Rosenberg, um trapezista judeu desempregado, após descobrir que seu irmão Max se suicidou. Nesses dias, seu mundo irá virar de cabeça para baixo. Bergman reconstrui meticulosamente a Berlim da época, para tecer uma profunda reflexão sobre as origens do Nazismo.

Drama
Versátil
01/04/2009
Português
 
 
 

Abel Rosenberg é o nome do protagonista masculino de O ovo da serpente (Ormens ägg; 1979), um dos mais controvertidos trabalhos do sueco Ingmar Bergman. Rosenberg foi o sobrenome do casal central de Vergonha (1968), o outro filme do realizador ambientado na obscura época de guerra. Jan e Eva Rosenberg eram marido e mulher interpretados por Max von Sydow e Liv Ullmann em Vergonha. Em O ovo da serpente a norueguesa Liv Ullmann, atriz constante das obras de Bergman nas décadas de 60 e 70 do século XX, é uma artista de cabaré na terrível e empobrecida Berlim de 1923; ela é casada com Max, que se suicida no início do filme e é encontrado morto pelo irmão dele Abel; um estranho e tenso relacionamento entre os cunhados Abel e Manuela, a personagem de Liv, vai costurar a visão disforme, inconstante e ambígua que Bergman apresenta da pré-formação do nazismo em O ovo da serpente; o ator norte-americano David Carradine desincumbe-se com garra do papel de Abel.

Produzido pelo italiano Dino de Laurentis, O ovo da serpente exacerba na grandiloquência de produção, o que é um dado não muito comum na filmografia do cineasta: Sorrisos de uma noite de amor (1955) e o superestimado Fanny e Alexander (1982) são outros dois exemplos que contrastam com os círculos fechados das encenações bergmanianas. Mas o pessimismo de Bergman sobre a natureza humana e a visão sombria que sua estética empresta a esse pessimismo são bem salientes em O ovo da serpente e ajudam o carregar a pesada e ameaçadora atmosfera da narrativa; a peça final do filme, com o discurso do doutor Vergérus para um assombrado e impotente Abel, buscando um irônico discurso cientificista pré-hitlerista mas também anti-hitlerista (“O senhor Hitler não tem capacidade intelectual, bem como lhe falta qualquer espécie de método”), é uma obra-prima dentro de um filme que exibe claros defeitos de construção. O próprio Bergman, em sua autobiografia, não se reconhece bem como diretor em O ovo da serpente: ele se perdeu bastante na opulência dos cenários, e isto se evidencia na montagem dura, áspera e insincera. Certas coisas, como aquelas imagens de um povo que se movimenta coletiva e mecanicamente com rostos tétricos e depressivos, estão entre os melhores achados bergmanianos. Dos atores, David está bem, mas Liv parece tão perdida quanto Bergman e sua pretendida imitação da americana Liza Minnelli numa aparição inicial cantando e despindo-se num palco de cabaré se afigura em pastiche próximo do execrável.

Saliente-se a paixão bergmaniana pelos saltimbancos, figuras de circo (Abel é ex-trapezista e Manuel foi do circo e sua vida obscura na Berlim pré-nazista não deixa de ser circense), desde as obras-primas dos anos 50 como Noites de circo (1953) e O rosto (1958). Sem ser um mau filme, muito longe disto, O ovo da serpente se coloca entre os filmes modestos de um genial cineasta; o que talvez tenha antigamente despertado a ira de muita gente seja a desproporção entre a pretensão histórica do realizador e a opacidade do resultado final. (Eron Fagundes)

Trailers da Coleção Bergman - “O Ovo da Serpente”, “Através de um Espelho”, “Luz de Inverno”, “O Silêncio”, O Sétimo Selo”, “Persona” e Sonata de Outono”, todos legendados.

Vida e Obra do Diretor – São 20 telas com texto sobre o Diretor, bem realizado e informativo, além de sua filmografia completa.

Mais um importante e polêmico filme do ótimo Ingmar Bergman tem a sua edição em DVD lançada por aqui. Desta vez a qualidade de imagem chega a comprometer por um simples motivo: está no formato “letterbox”, ou seja, está com a proporção original do filme, 1.66:1, mas sem estar “anamórfica”, significando que quem tem uma TV em widescreen, cada vez mais comum, a imagem contém irritantes barras acima e abaixo da imagem por estar no formato “standard” na proporção de uma TV “convencional”, 4x3 (ou 1.33:1). Há também uma certa granulação, mas a coloração e contrastes estão sem problemas. O áudio está apenas em Inglês, sem dublagem, o que poderia angariar maior público. Extras bem realizados mas quase que inexistentes complementam o produto. Mesmo assim vale ser visto por fãs do cineasta, estudiosos do cinema mundial e pelo ineditismo da edição.
 
Por Edinho Pasquale em 03/04/2009
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