RINDO DO CINISMO E DA AMBIÇÃO HUMANOS
 

 

06 de junho de 2008

Todos contra Zucker (Zucker; 2004), dirigido por Dany Levi, é uma articulada comédia cinematográfica germânica ambientada no universo judaico. O senso e o tempo cômicos do cineasta e de seu grupo de intérpretes atingem níveis notáveis que fecham um círculo de risos e reflexões em torno dos assuntos abordados; nada está fora do lugar dentro da narrativa e das ações interpretativas e o ritmo fílmico está sempre em seu esforço máximo.

A história do filme é contada pelo próprio protagonista, Jackie Zucker, desde suas evocações no estado de coma em que está no hospital. Apesar de manietado a um leito hospitalar, o espírito jocoso da personagem não se entrega a um estado opressivo e está sempre disposto a divertir-se com as circunstâncias que o levaram à situação atual. Zucker é um judeu da antiga Alemanha oriental, mas é absolutamente inconsciente ou desapegado de seu judaísmo; vive em jogatinas e conquistas amorosas que o conduzem à bancarrota financeira e matrimonial (os grandes planos dos tabuleiros de sinuca parecem extraídos de A cor do cinheiro, 1986, um formalista exercício de estilo do norte-americano Martin Scorsese).

A reviravolta na vida do irrequieto e aventureiro judeuzinho dá-se quando sua mãe morre. A herança deixada por ela traz para seu convívio seu irmão, um judeu ortodoxo, e a família deste irmão, muito excêntrica. E a relação de Zucker, tumultuada relação, com sua filha e sua quase ex-mulher se exacerbam diante da chegada dos parentes. A necessidade de manter uma forçada união familiar à espera do bendito dinheiro herdado vai gerar situações cômicas mas igualmente produzem uma tênue meditação sobre os escusos, cínicos e gananciosos interesses humanos nas relações dos homens uns com os outros, mesmo e principalmente quando se trata de relações familiares.

Uma boa surpresa, este Todos contra Zucker.

Por Eron Fagundes

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