A MODA DOS SUPER-HERÓIS
 

 

18 de julho de 2008

Como Hulk, a personagem de Will Smith em Hancock (Hancock; 2008), de Peter Berg, provoca muitas destruições de cenários; é bem verdade que Hulk o faz quando se enraivece e Hancock se atrapalha um pouco para defender os bons dos maus nas sociedades humanas. Como o Super-Homem, Hancock voa. Como lhe diz sua parceira de aventuras na terra de humanos, vivida pela engenhosamente bela loira Charlize Theron, vivemos na moda dos super-heróis, que é como ela lhe explica a natureza do que são; do contraste entre o preto (Smith) e o claro (Charlize), Berg vai tecendo suas obviedades hollywoodianas. Que, é claro, nunca chegam a cansar seu público cativo, aquele que ao longo dos anos não mudou muita coisa e adora uma pancadaria cinematográfica.

Curiosamente, este super-herói (há quem lhe negue esta estatura, como negaram a Hulk, em face do tópico destruição; mas é uma sutileza de aficcionado que não pega, pois a platéia precisa do super) não provém dos quadrinhos, uma história de quadrinhos específico, que me conste, mas sua estrutura e sua fabulação são evidentemente calcadas no ritmo e no jeito dos gibis. Na verdade, Hancock padece de novidades e é profundamente raso; mas quem se importa com isto? O público habitual sente-se em casa. O desespero solitário de Hancock, um ser diferente, contrastando com os laços familiares da criatura de Jason Bateman e de sua esposa interpretada por Charlize, esta une, digamos assim, Hancocka adaptada ao sistema humano para ser feliz ou viver bem. A época de Hancock na cadeia e suas enviesadas relações com a mulher casada vivida por Charlize não adicionam nenhuma complexidade a esta trama atrozmente ingênua.

Não se pode dizer que Hancock não cumpra sua função de distrair o espectador e aliená-lo convenientemente. Mas não se pode extrair de suas interpretações mais do que isto, pois se cairia numa mistificação crítica.

Por Eron Fagundes

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