20 de junho de 2008
O australiano Roger Donaldson roda um habitual filme de roubo em Efeito dominó (The bank job; 2008), cujo roteiro foi extraído da crônica policial londrina do início dos anos 70. Donaldson, seguindo as regras de ação e tensão do cinema comercial, encarcera suas situações e suas personagens numa narrativa-clichê, excessivamente nos trilhos de manter aceso o interesse do espectador habitual para uma história já vista e sem ousar qualquer desvio de linha que pudesse atrapalhar esta atenção dirigida do observador. Assim preso às suas regrinhas de corte e montagem, Efeito dominó não tem, por exemplo, o frescor natural de Assalto ao trem pagador (1962), do brasileiro Roberto Faria, onde uma história de roubo e o posterior desenvolvimento das vidas dos ladrões tinham um corte policial mas nunca se amarravam demasiadamente à narrativa de gênero.
Donaldson é um artesão competente, mas esta condição não foi suficiente para que ele fizesse bons filmes ao longo dos anos. Seu trabalho mais evocado é Marie, uma história verdadeira (1985), com Sissy Spacek à frente do elenco, onde ele articulava um bem feito mas superficial e impotente policial político de denúncia à corrupção social, política ou policial. Em Efeito dominó a ação do roubo e o salvar a pele dos protagonistas domina o primeiro plano narrativo; mas Donaldson enxerta questões dos poderosos corrompidos, os figurões envolvidos em falcatruas de tráfico e sexuais, os policiais comprados. Deixando para a sombra a opção de um filme-denúncia, o que o cineasta propõe é um entretenimento rasteiro, fácil de acompanhar, ms que de maneira alguma pode equiparar-se aos melhores policiais de roubo da história do cinema.
Por
Eron Fagundes